O famoso julgamento de Paris

O século 20 realmente foi marcante para o mundo do vinho. Mas a maior revolução aconteceu, sem dúvida, nos Estados Unidos, onde o século começou sob a Lei Seca, e acabou com o país entre os maiores consumidores de vinho do mundo!

Ironicamente, a ênfase na produção de vinho de identidade varietal aconteceu ao mesmo tempo em que buscou-se, nos Estados Unidos, uma aproximação com os crus franceses, que serviam de modelo de qualidade e de estilo.

O primeiro passo dado nesse sentido foi a gradual substituição das uvas nativas e híbridas, com a introdução de variedades de maior qualidade. Castas utilizadas em Bordeaux e Borgonha passaram a ser amplamente cultivadas pelos americanos, cuja visão estava em busca da excelência na produção de vinhos.

Além disso, pesquisas científicas e descobertas tecnológicas guiaram os produtores americanos, principalmente da Califórnia, que aos poucos foram dominando a arte da viticultura e da vinificação.

E, mesmo se essa história fosse fictícia, talvez não tivesse uma cena tão marcante, dessa reviravolta, como de fato aconteceu...

Em 24 de maio de 1976, Steve Spurrier, um jovem inglês proprietário de uma de uma das melhores lojas de vinhos em Paris, e de uma prestigiada escola de sommeliers, organizou uma degustação às cegas. O evento, que estava sendo chamado de “Degustação do Século”, reunia vinhos Chardonnay e Cabernet Sauvignon da Califórnia, para serem confrontados com os melhores franceses. O objetivo era expor e divulgar os vinhos americanos, dos quais Steve Spurrier era um entusiasta, e, é claro, promover sua loja.

O júri do evento era formado por 9 experts, representantes da elite da cultura de vinho da França. Entre eles, representantes do conselho regulador do sistema de denominação AOC (Appellation d’Origine Contrôlée), do Instituto de Enologia da França, donos dos melhores restaurantes franceses e sommeliers.

Na primeira fase da degustação, 6 vinhos Chardonnay da Califórnia, e 4 vinhos da Borgonha, foram degustados às cegas, sem que o júri soubesse qual taça pertencia a qual garrafa.

Na segunda fase, foi a vez de 6 vinhos Cabernet Sauvignon californianos, com 4 cortes de Bordeaux.

Nas duas etapas, as melhores avaliações couberam a vinhos da Califórnia, sem que os jurados soubessem a procedência do que estavam degustando. Mas, o mais surpreendente, para a época, foi o fato de que os especialistas se confundiram com os vinhos, não conseguindo diferenciar californianos de franceses, ao contrário do que se esperava de paladares tão treinados.

Alguns dias após o evento, a revista Time publicou, na agora histórica edição de 07/06/1976, um pequeno artigo contando o resultado da degustação. O artigo virou um livro, o livro virou um filme, e a história ficou famosa, assim como os vinhos da Califórnia...

A história deixa claro que comentários mordazes que os juízes fizeram, pensando se tratar de vinhos da Califórnia, na realidade, diziam respeito a conceituados vinhos franceses.

E, apesar da decepção dos franceses à época, o fato é, na verdade, lisonjeiro aos crus da França. Na realidade, o que os americanos fizeram, ao produzir esses excelentes vinhos, foi tentar imitá-los... Irônico, não é?

E, se quiser ler mais sobre os vinhos dos Estados Unidos, clique aqui. Ou então, para ler sobre a Lei Seca, que vigorou naquele país de 1920 a 1933, clique aqui.




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