Meritage, a herança pelo mérito

A palavra “Meritage” só aparece em rótulos do Novo Mundo. Por que será? O que ela quer dizer? E de onde ela surgiu?

Vamos voltar a 1976, quando vinhos Cabernet Sauvignon californianos surpreenderam o mundo, vencendo exemplares de primeira linha de Bordeaux, em uma degustação às cegas. Esse foi um fato tão inédito que abalou as convicções do mundo do vinho, à época. A partir desse momento, os olhos do mundo se abriram para o fato de que um bom vinho estava sendo produzido no Novo Mundo.

Americanos de todas as regiões procuravam, orgulhosamente, por rótulos californianos de Cabernet Sauvignon, Merlot ou Sauvignon Blanc, do Vale do Napa e de Sonoma. E a legislação americana determinava que, a fim de ser rotulado com um nome de uva, o vinho deveria ter, ao menos, 75% desta uva em sua composição.

Só que os enólogos californianos buscavam criar vinhos cada vez mais complexos e equilibrados, realizando cortes de várias uvas, à moda europeia, em vez de vinhos varietais, que têm praticamente uma cepa única.

Pela legislação, esses novos vinhos, por não serem pelo menos 75% varietais, deveriam ser rotulados com o termo genérico “vinho de mesa”, mesmo sendo tão nobres e caros. E os americanos abominavam o termo “vinho de mesa”, que os remetia a um passado de vinhos de baixa qualidade, logo após o fim da lei seca. Pronto, estava posto o problema.

E esse problema, que colocava os vinhos californianos em desvantagem comercial quando comparados aos vinhos europeus, encontrou uma solução em 1988, quando um pequeno grupo de produtores do Vale do Napa reuniu-se em uma associação, para lançar um nome que identificasse seus vinhos de alta qualidade.

Em um golpe de gênio, organizaram um concurso, que recebeu mais de 6.000 inscrições. O campeão foi o californiano Neil Edgar, com o nome "Meritage" - uma combinação das palavras “mérito” (merit) e “herança” (heritage).

E a associação de produtores estabeleceu os requisitos para o uso do nome: um vinho tinto Meritage deve ser feito a partir de uma mistura de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Malbec e Petit Verdot, as variedades de uvas clássicas de Bordeaux, junto com as mais raras St. Macaire, Gros Verdot e Carmenère. Para Meritage branco, apenas Sauvignon Blanc, Sémillon e Muscadelle, as uvas brancas de Bordeaux, são permitidas. As proporções podem variar, mas, pelo menos, duas destas castas devem ser utilizadas, nenhuma com mais de 90% de participação no corte.

Essa associação hoje com 25 anos de existência, conta com mais de 120 vinícolas associadas, que produzem alguns dos melhores e mais valorizados vinhos do mundo. E o nome Meritage passou a ser adotado, também em outros países do Novo Mundo, como o Canadá, para identificar vinhos excepcionais produzidos a partir das uvas do corte tradicional de Bordeaux.

A propósito: segundo a própria Associação Meritage, essa palavra não se pronuncia como uma palavra francesa, mas, sim, como uma palavra do inglês, algo como “Mé-ri-tai-dge”.

Ah, Neil Edgar, criador do termo vencedor do concurso, foi premiado com duas garrafas de cada safra, de cada vinho rotulado como “Meritage”, durante 10 anos. Nada mal, não?




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