Vinhedos misturados

Uma das muitas particularidades de Portugal é a forma diferente de plantar alguns vinhedos.

Enquanto o mundo inteiro separa as vinhas, organizando-as de maneira a separar as diferentes variedades de uvas viníferas, uma pequena parte de Portugal cultiva suas uvas de maneira peculiar. São os vinhedos misturados.

Nesses vinhedos, uma videira de determinada variedade é plantada exatamente ao lado de uma videira de outra casta, e ao lado de outra, e assim por diante. Tudo, literalmente, misturado.

E, para surpresa e deleite, esse método caótico de cultivo é responsável por muitos dos grandes vinhos de Portugal!

 E qual será a origem desse costume?

Em primeiro lugar, devemos lembrar que Portugal é um país pequeno. Para se ter uma ideia, a área ocupada pelo Brasil é quase 100 vezes maior do que a de Portugal.

Além disso, esse não é um país de latifúndios, ou seja, o tamanho das propriedades rurais costuma ser pequeno.

Junte-se, a esses fatos, a cultura de corte dos vinhos europeus, e principalmente de Portugal, ao contrário da cultura de vinhos varietais do Novo Mundo.

Com todo esse cenário, plantar vinhedos misturados foi a solução encontrada, no passado, por antigos viticultores portugueses.

 E essa prática ainda existe, nos dias de hoje?

Sim, porque os produtores perceberam que os vinhedos misturados são capazes de proporcionar vinhos ainda melhores, e transformaram essa tradição casual, em um método formal e intencional de cultivar uvas. Atualmente, é possível que quase 10% dos vinhedos portugueses sejam misturados.

 Se você achou isso interessante, você ainda não viu nada...

Nos vinhedos misturados, as uvas são colhidas todas ao mesmo tempo, e vinificadas juntas, o que já foge do padrão mais habitual de produção de vinhos de corte, onde a fermentação acontece separadamente, e o corte é realizado somente ao final do processo.

Mas voltemos à colheita. Diferentes uvas têm ciclos de vida também diferentes; cada uma amadurece ao seu tempo, sendo que esse intervalo entre o primeiro e o último amadurecimento pode chegar a até 7 semanas, o que teoricamente inviabiliza a colheita única dos vinhedos misturados. Mas é aí que a sábia Mãe Natureza entra em ação! Nos vinhedos misturados, as uvas adaptam-se umas às outras, passando a ter tempos mais próximos de amadurecimento, com o intervalo reduzido a, no máximo 10 dias, o que não prejudica o vinho, e ainda proporciona maior complexidade, já que uvas mais maduras produzem um vinho mais carregado, e as menos maduras, proporcionam maior acidez.

Mais antigos, mas ao mesmo tempo mais conectados com os dias atuais, os vinhedos misturados são, via de regra, orgânicos. A diversidade os protege, naturalmente, de doenças e pragas. Santa natureza!

Nos vinhedos misturados velhos, de mais de 50 anos, é comum o produtor não ter certeza absoluta de quais são as variedades ali existentes. Primeiro, porque essa não é uma questão tão relevante, em Portugal. Segundo, porque a diversidade das uvas portuguesas é enorme; são mais de 250 castas autóctones.

Ok, mas Portugal não é o único lugar do mundo a ter vinhedos misturados. Na Áustria também existem alguns pouquíssimos 4 ou 5 hectares. O que é praticamente nada, comparados aos talvez 20 mil hectares portugueses onde as uvas se misturam!

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