A comida árabe e o vinho

Primeiro, uma tentativa de descomplicar o tema...

O mundo árabe compreende mais de 20 países. O que convencionamos chamar de comida árabe é, na verdade sírio-libanesa. Essa culinária, a qual nos referimos, foi trazida ao Brasil pelos imigrantes árabes que vieram do Líbano e da Síria, no começo do século XX.

Outra observação que merece ser feita é que essa culinária, assim como outras, foi adaptada às possibilidades locais. Aqui, a carne de cordeiro, por exemplo, foi amplamente substituída pela carne bovina, no preparo dos pratos.

Bom, mas vamos a algumas sugestões:

 Hommus dil Tahine, a pasta de grão-de-bico. Não é dos mais fáceis de harmonizar. Uma boa saída pode estar nos vinhos brancos à base de Sémillon ou Sauvignon Blanc. Os estilos secos do húngaro Tokaji, que são os menos famosos, também são boas harmonizações. Se preferir um tinto, a força e o caráter frutado de um Malbec fazem aqui uma parceria interessante.

 Babagannuj, a pasta de berinjela. Aqui, Sémillon e Sauvignon Blanc continuam sendo boas pedidas. Se quiser um vinho que combine perfeitamente com essa pasta de berinjela, escolha um rosé, quem sabe da Provence. Se fizer questão de um tinto, considere Syrah entre suas opções.

 Tabule, a salada de trigo, tomate, cebola e salsinha. Essa salada também emparelha muitíssimo bem com vinhos rosés. Ou então um branco de boa acidez e sem passagem por madeira, elaborado, por exemplo, com Sauvignon Blanc.

 Kibe, seja cru, assado ou frito. Se for cru, prefira os tintos mais leves. Se for assado ou frito, pode tranquilamente escolher Cabernet Sauvignon, ou até mesmo Malbec. Na dúvida? Escolha Merlot.

 Esfihas de carne, abertas ou fechadas. Tintos mais leves, à base de Cabernet Franc, Pinot Noir ou Gamay são opções bem certeiras. Mas Cabernet Sauvignon pode ser uma boa ideia, também.

 Chanclich, o queijo árabe com tomate, cebola, salsinha e zatar. Bons espumantes podem ficar ainda melhores com esse queijo. Experimente!

 Charutinho, enrolado de folha de uva ou de repolho, recheado com arroz e carne. Aqui, uma boa dica é um Syrah francês, ou um Shiraz australiano...

 Mijadra, o arroz com lentilhas e cebolas douradas. Novamente, aqui sugerimos tintos leves, como Pinot Noir da Borgonha, Chianti, Cabernet Franc...

 Kafta, espeto de carne moída com salsinha. Para esse prato, um tinto da sua preferência. Se deixar por nossa conta, sugerimos Cabernet Sauvignon.

 Fatti de cordeiro, ou lombo de cordeiro. Um corte típico de Bordeaux, que combine Cabernet Sauvignon com Merlot, ou então um espanhol de Rioja, farão desse prato algo mais interessante, ainda.

 Linguiça árabe, temperada com vinho tinto. Vinhos italianos como Chianti e Valpolicella combinam bem com os sabores desse prato.

 Tradicionais doces árabes, incluindo o M’hallabye, manjar com água de flor de laranjeira e calda de damasco. Um Moscatel. Um Sauternes. Um Tokaji. Aqui, as opções realmente são muitas. Divirta-se...

Diante de tantas sugestões, surge a pergunta: mas e se eu precisar optar por um único vinho, durante o jantar? Uma resposta, dentre tantas possíveis é “vá de rosé”. Você não vai se arrepender. Mas também, não se esqueça daquela máxima, que diz que a melhor harmonização é aquela que te agrada...

Agora, seguindo a ideia de combinar comidas típicas a vinhos da mesma região, uma excelente sugestão pode ser, para um jantar com esse cardápio, procurar um vinho libanês... Nem que seja pelo lado pitoresco dessa escolha... Se quiser ler mais sobre os vinhos produzidos no Líbano, clique aqui.

E, como diriam os nossos “brimos”, yallah!




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