Idas e vindas do Alentejo

O Alentejo é um destino certeiro para os amantes do vinho. Mas, você sabia que, por pouco, não mudam o rumo dessa história?

O mundo do vinho correu sério risco, décadas atrás, de nunca mais poder desfrutar os sabores alentejanos. Por outro lado, foi esse mesmo acontecimento, que quase extinguiu os vinhos locais, que acabou por torná-los ainda mais interessantes.

Vamos à história...

A tradição vitivinícola da região que hoje chamamos de Alentejo é muito, muito antiga. Acredita-se que tenha começado vários séculos antes do nascimento de Cristo, com os Tartessos, uma antiga civilização ocidental.

Tal tradição acompanhou a chegada dos fenícios e dos gregos na região, e viu-se extremamente beneficiada durante o Império Romano, que disseminou a cultura da vinha e do vinho no Alentejo. Cresceu durante os primeiros séculos do Cristianianismo, e conseguiu sobreviver até mesmo ao desafio da invasão muçulmana na Península Ibérica, podendo demonstrar toda a sua exuberância mais tarde, durante os séculos 16 e 17.

Aí chegou o século 18, e o Marquês de Pombal fortaleceu a produção de vinhos portugueses do Douro, em detrimento das outras regiões, como o Alentejo. No final do século 19, quando tudo parecia estar novamente melhorando para os produtores de vinho do Alentejo, acontece a filoxera, praga que dizimou vinhas por toda a Europa. Se quiser ler mais sobre isso, clique aqui.

Pronto. Chegou o século 20, com suas duas guerras mundiais em território europeu. O que já parecia complicado, piora ainda mais (e muito), para os vinhos alentejanos. O governo autoritário de Salazar instituiu uma política agrícola que simplesmente proibiu o cultivo de vinhas no Alentejo! Sim, é isso mesmo.

O Alentejo, que nessa época passou a ser conhecido como o “celeiro de Portugal”, de uma hora para outra viu suas videiras e suas oliveiras serem arrancadas para o plantio de trigo.

Mal sabia Salazar que, no entanto, sua decisão iria, no final das contas, beneficiar os vinhos do Alentejo!

Na década de 1970, ao final desse período ditatorial, o Alentejo produzia míseros 1% do total de vinhos consumidos em Portugal. Essa pequena parcela representava produções domésticas para consumo próprio, vinda de vinhas velhas que haviam resistido, onde os solos eram piores (contraditoriamente, uma excelente condição para a concentração de aromas e sabores de um vinho).

Pois bem. O Alentejo era uma terra praticamente sem vinhas. Mas com muito espírito de cooperação, em contrapartida. E também com a melhor oportunidade possível para escrever uma história de inovação em seu recomeço vitivinícola.

Assim, foi o Alentejo, com ajuda financeira da União Europeia, que inicialmente abraçou em Portugal as então modernas técnicas de enologia, como fermentação em cuba de inox e com controle de temperatura.

E foi no Alentejo, também, que Portugal integrou diferentes uvas às suas já tradicionais castas nativas. Produtores recém-chegados no mundo dos vinhos, alguns inclusive nem portugueses mas sim estrangeiros, “atreveram-se” a desafiar a tradição do país, cultivando cepas internacionais no Alentejo, ao lado das uvas locais. A Syrah, que foi a que mais se adaptou à região, é capaz de alcançar no Alentejo resultados entre os melhores do mundo, como faz no Vale do Rhône e Austrália.

Assim, nesse cenário de idas e vindas, o Alentejo saiu do 1% dos vinhos consumidos no país, para incríveis 47%, atualmente!

E, se depois de toda essa história, você quiser ler mais sobre vinhos alentejanos, clique aqui.




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